O brincar na Educação Infantil

Qual o significado do jogo, da brincadeira e do brinquedo no desenvolvimento e formação da criança na Educação Infantil?

O brinquedo, a brincadeira e o jogo são ferramentas de linguagem, de interação e de comunicação.  É através do ato de brincar que as crianças mostram seus desejos e suas fantasias, facilitando assim a aquisição do conhecimento. Desta forma, este mesmo ato tem grande impacto para a construção dos aspectos físicos, sociais, culturas, afetivos, emocionais e cognitivos.

Faz-se necessário promover a conscientização dos pais, educadores e sociedade sobre a importância da ludicidade na escola e na vida das crianças. Deve-se enfatizar que isto não é apenas um lazer, mas principalmente um facilitador do processo de ensino. O lúdico é uma maneira de intervenção e prevenção de problemas ligados a aprendizagem. Oliveira (1988) diz o seguinte como exemplo:

…a brincadeira infantil constitui uma situação social onde, ao mesmo tempo em que há representações e explorações de outras situações sociais, há formas de relacionamento interpessoal das crianças ou eventualmente entre elas e um adulto na situação, formas estas que também se sujeitam a modelos, a regulações, e onde também está presente a afetividade: desejos, satisfações, frustações, alegrias, dor… (p.110).

É este brincar na educação infantil que vai proporcionar às crianças regras de grupo, entender o outro, dar suas opiniões, tudo mediado pelo educador, que com sua sensibilidade e observação pode através do ato de brincar do seu aluno  diagnosticar uma dificuldade de aprendizagem, para que em seguida o professor possa reavaliar outra estratégia de como passar aquele determinado conhecimento de outra maneira.

Neste sentido, deve-se compreender que é de fundamental importância oportunizar os educadores sobre as experiências lúdicas, bem como sobre reflexão a respeito da inserção de jogos na escola. Para tal, é necessário trabalhar teorias do lúdico, a comprovação da importância do jogo, observar como as crianças brincam e com essa observação sentir como orientar essas brincadeiras. ANDRADE( 1994) afirma que: “importa primeiro que os próprios professores saibam brincar para estarem em condições de partir do jogo das crianças e a ele regressarem” (p. 80).

Aquele ato de brincar deve ser oportunizado pelo educador, provocando na criança o desejo de participar de atividades recreativas por meio da oferta de determinados objetos, fantasias, brinquedos ou jogos. Dessa maneira, quando o aluno participa de uma atividade lúdica, ele está instigando no professor um “novo olhar” sobre a sua prática pedagógica cotidiana, colocando esse educador para refletir sobre sua prática e teoria, e por que não dizer lúdica. Zanluchi (2005, p. 91) afirma que “a criança brinca daquilo que vive, extrai sua imaginação lúdica de seu dia- a- dia”.

Ao interagir com o brinquedo, a criança se transporta para o mundo do faz-de-conta, como brincar de médico, de casinha, de professora, transformar o tapete em tapete voador dentre outras. O faz-de-conta aguça a imaginação, a criatividade, enriquece a identidade da criança, pois ela passa a viver e experimentar outras formas de ser ao interpretar outros personagens.

A partir dos assuntos abordados neste trabalho e para que seja possível entender a relação entre o lúdico, o jogo e a brincadeira é necessário compreender o significado da palavra lúdico, que vem do latim ludus que quer dizer jogo, o mesmo não só se refere ao jogo, ao brincar ou a movimento espontâneo. O lúdico é um traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. De modo que a definição deixou de ser um simples sinônimo de jogo. As implicações da necessidade lúdica extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo.( ALMEIDA)

O lúdico consegue fazer com que a criança perceba o mundo e com isso construa a sua personalidade. Com as atividades do lúdico e do jogo, a criança vai refletir ideias, conceitos, estimular as percepções, as interações e o que é mais importante: criar laços para socializa-se como afirma Kishimoto (1994). É a ação que a criança desempenha ao concretizar as regras de jogo, ao mergulhar na ação lúdica. Pode-se dizer que é o lúdico em ação. Dessa forma, brinquedo e brincadeira relacionam-se diretamente com a criança e não se confundem com o jogo.

A brincadeira na infância surge naturalmente, sem compromisso, planejamento, imposições, isso tudo gerado por uma espontaneidade que vai propiciar na criança prazer, divertimento e parcerias. Quando a criança brinca, ela exercita-se, imagina, concentra, constrói conhecimento e aprende a conviver em grupo.

Quando um adulto recorda-se de sua infância, é praticamente impossível que não venha a sua mente as brincadeiras de rua, tais como pega-pega, esconde-esconde, brincadeiras de roda e outras que estão guardas com saudosismo no seu coração. Os jogos, brinquedos e brincadeiras são tão importantes que fazem parte da vida de todos desde a mais tenra infância até a fase adulta.

Como educadores, compreendemos que os jogos, as brincadeiras, os brinquedos são extremamente importantes na infância.  É neste contexto que se evidencia que o brincar trará para nossas crianças o entendimento da construção de sua identidade, socialização, conhecer e reconhecer seu grupo, e principalmente entender o mundo que lhes rodeia.

Nas palavras de Kishimoto (1993, p. 15), o jogo tradicional infantil é o seguinte:

Considerado como parte da cultura popular, guarda a produção espiritual de um povo em certos períodos históricos. Por ser elemento folclórico assume características de anonimato, tradicionalidade, transmissão oral, conservação, mudança e universalidade.

Aliado ao elemento folclórico que a autora acima se refere, nas escolas sempre trabalham-se as cantigas de roda, onde as crianças adoram e se divertem muito. Naquele momento as crianças se veem integradas em um grupo, ouvem seus nomes em algumas canções e para elas esta identificação é fabulosa, pois sentem-se envaidecidas por serem citadas, como nas cantigas A canoa virou, Ciranda cirandinha e outras.

Sobre esse mesmo tema, é imprescindível citar as contribuições dos portugueses no folclore infantil através de versos, parlendas e advinhas. Nas palavras de Kishimoto(1993), as lendas das cucas, bichos papões e bruxas, divulgadas pelos avós portugueses aos netinhos e pelos negros, amos de sinhozinhos, acompanham a infância brasileira e penetram em seus jogos.

Aliado a isso, deve-se propiciar aos alunos a possibilidade de criar e construir seus próprios brinquedos (com sucata, construção de regras, o faz-de-conta). Da mesma forma, faz-se necessário que eles também compreendam, descubram e manuseiem os brinquedos industrializados.

Na escola, hoje, os professores acreditam no poder do brincar, pois desta forma as crianças exploram objetos, lugares, espaços o tempo inteiro. Mediante a isto eles acreditam que deve ser priorizado a ludicidade no espaço escolar. As cantigas de rodas, os bambolês, brincadeiras com corda, histórias com fantoches ou outras brincadeiras fazem parte hoje do cotidiano de todos os professores de pré-escola em sala de aula.

As brincadeiras supracitadas oportunizam organização espacial, noção de quantidades, compreensão de cores, entendimento das vogais, desenvolvimento de regras e principalmente a interação entre as crianças. Algumas atividades que as meninas gostam muito, tais como brincar de casinha, de boneca e de amarelinha trabalham a manipulação de objetos, a dramatização e a resolução de conflitos. Nas palavras de Almeida (1998):

A ação de buscar e de apropriar-se dos conhecimentos para transformar exige dos alunos esforços, participação, indagação, criação, reflexão, socialização com prazer, relações estas que constituem a essência psicológica da educação lúdica.

Mesmo com o avanço tecnológico e o crescimento rápido da sociedade urbano-industrial, o lúdico ainda é considerado como uma atividade sempre presente na vida das crianças e no trabalho dos educadores. Prover às crianças de zero a seis anos o contato com os jogos, brinquedos e brincadeira é estar oferecendo a elas prazer e alegria, o que é imprescindível na formação das crianças e deve fazer parte do cotidiano das escolas de Educação Infantil.

Entretanto, para que a brincadeira faça parte do ambiente escolar de creches e pré-escolas, é necessário conscientização dos educadores quanto à importância do brincar para o desenvolvimento infantil. Quando uma criança está envolvida em um jogo ela se esforça ao máximo para vencer e ser a melhor, utilizar essa motivação com um fim educacional é pensar em educação com a mente alinhada com a época contemporânea em que vivemos.

Partes das Atividades feitas na minha sala, sob minha mediação na escola que trabalho em conjunto com a professora Rosemeire Zanetti:

Brinquedos feitos a partir de sucata, trabalhando os numerais.
Brinquedos feitos a partir de sucata, trabalhando os numerais.
Aguçando a imaginação das crianças através de fantoches
Aguçando a imaginação das crianças através de fantoches
Brincadeira do faz-de-conta, brincando de casinha.
Brincadeira do faz-de-conta, brincando de casinha

 

 

 

 

 

 

 

Jogo confeccionado pelas professoras Mary Jane e Rosemeire, trabalhando as cores e as formas geométricas
Jogo confeccionado pelas professoras Mary Jane e Rosemeire, trabalhando as cores e as formas geométricas
Professora Mary Jane fazendo a locução da peça
Professora Mary Jane fazendo a locução da peça

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

OLIVEIRA, Zilma de M. R. de (1988). Jogos de Papéis: Uma perspectiva para análise do Desenvolvimento Humano. Tese de doutorado, São Paulo: IPVSP.

ANDRADE, Cyrce M. R. J. de (1994). Vamos da a meia volta, volta e meia vamos dar: O brincar na creche. In: Oliveira, Zilma de M. R. de (org). Educação infantil: Muitos olhares, São Paulo: Cortez.

ZANLUCHI, Fernando Barroco. O brincar e o criar: As relações entre atividade lúdica, desenvolvimento da criatividade e educação. Londrina: O autor, 2005.

ALMEIDA, Anne. Ludicidade como instrumento pedagógico. Disponível em: http://www.cdof.com.br/recrear22.htv. Acesso no dia 06 de abril 2013.

Kishmoto, T. M. Brinquedo, Brincadeira e a Educação. 6ª edição. São Paulo: Cortez, 1994.

MORCHIDA, Tizuko. Youbube. A Importância do Brincar. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=HpiqpDvJ7-8. Acesso em: 15 de abr. 2013.