Como crianças de seis meses a três anos aprendem com o mundo à sua volta?

A criança é um ser em desenvolvimento, no período que compreende dos seis meses aos três anos de idade, ela demonstra evolução rápida com diferentes expressões, formas de comunicação e interação com o meio físico, natural, social e cultural. Nesta fase, as crianças constroem novas e diferentes habilidades que lhes proporcionarão o entendimento sobre o mundo que os rodeia. É papel dos responsáveis pela educação da criança prover os meios e estimular a criança neste período para que ela utilize as suas aptidões naturais para aprender as diferentes áreas de conhecimento.

Como crianças de seis meses a três anos aprendem com o mundo à sua volta?

À medida que a criança desenvolve sua curiosidade e opinião crítica de contradição e de reformulação, ela passa poder explicar, com suas próprias palavras, diversos fenômenos naturais e a expressar opiniões sobre acontecimentos do mundo social e natural como a afirma os pesquisadores da FAEL (Faculdade Educacional da Lapa):

“À medida que se desenvolve e sistematiza conhecimentos relativos à cultura, a criança constrói e reconstrói noções que favorece mudanças no seu modo de compreender o mundo, permitindo que ocorra um processo de confrontação entre suas hipóteses e explicações com os conhecimentos culturalmente difundidos nas interações com os outros, com os objetos e fenômenos e por intermédio da atividade interna e individual.” (FAEL, 2010, p.02)

Aliado a isto, ao observar a criança expressar e comunicar seus desejos na primeira infância, percebe-se que ela é extremamente verdadeira e exploradora. Estas são as principais características que as fazem atribuir seus primeiros significados ao mundo. Com o passar do tempo, ela passa a ter ações mais intencionais e coordenadas, apresentando uma constante interação com outras pessoas e colocando em prática suas habilidades, o que lhes faz ampliar e fixar seus conhecimentos.

Ao longo daquele período, outro fator tem enorme impacto na educação infantil, que é a influência da cultura presente na sua comunidade. Segundo o Referencial, as crianças constroem o conhecimento mediante as interações que estabelece com as outras pessoas e com o meio em que vivem. (BRASIL, 1998). Sendo assim, suas estruturas de pensamentos moldam-se ao seu meio ambiente e faz-se possível notar suas formas diferenciadas de compreensão tanto dos objetos, quanto da linguagem utilizada para representá-los.

Entretanto, independente da influência social ou cultural, é através do brincar que a criança imagina, cria, interage, supera conflitos, socializa-se, constrói novos conhecimentos e compreende o mundo a sua volta. Nas palavras de Santos:

“O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento.” (1997, p.12)

Desse modo, o brincar tem um papel importantíssimo na educação infantil, pois com o lúdico, a criança desbrava o mundo extraordinário da infância, onde ela tem o poder de revelar suas perspectivas, suas descobertas, seus encantamentos e sua alegria. Além disso, a criança sente-se mais livre para compartilhar ideias e sentimentos pelo simples prazer e vontade de experimentar.

Para tanto, o educador deve repensar sua prática pedagógica, visando inserir atitudes que prezem pela reconstrução do pensamento e da maneira de perceber e compreender o conhecimento, cabendo ao profissional o compromisso de modificação e transformação por meio da interação com os alunos.

O professor deve aproveitar as atividades lúdicas para deixar que as crianças se expressem e exercitem sua comunicação, pois é um momento em que elas estarão mais a vontade. O simples fato de fazer com que elas participem da organização da atividade, faz com que as mesmas tenham que descrever algo com bastante detalhe e todas estarão motivadas a utilizar todo o seu conhecimento para tornar esta comunicação mais rica, sendo por meio de palavras, gestos ou desenhos. Como exemplo, na atividade de um teatro de fantoches, o professor deve fazer com que os alunos participem da confecção dos personagens e depois deve promover uma conversa com os alunos para que eles contem como foi feita a confecção do seu personagem.

Aliados a isto, ainda por meio do lúdico, é possível exercitar a matemática de forma bastante discreta, mas extremamente eficiente. Com um pequeno estímulo do professor, os alunos exercitaram pequenas operações aritméticas, a identificação de padrões e o entendimento dos numerais.

Entretanto, o conhecimento matemático está presente em todas as atividades do cotidiano da sala de aula, mesmo em atividades que aparentemente não são explicitamente exercícios. São exemplos, o reconhecimento de quantidade na divisão e organização de materiais, o controle do tempo da rotina escolar, as noções de grandeza com a comparação de objetos e pessoas, dentre outras. Segundo Organização Mundial para a Educação Pré- Escola (UNESCO, 2005):

“As relações das crianças com a matemática não são aprendidas a partir do momento que ela entra na escola. Pelo contrário, já começaram quando ela consegue demonstrar preferências e testar possibilidades do ambiente onde vive. Portanto, quanto mais rico em possibilidades for esse ambiente, maiores serão as construções da criança a cerca dos números.”(2005, p.104)

Como crianças de seis meses a três anos aprendem com o mundo à sua volta?

Como exemplo deste cenário, na turma em que leciono no C.M.E.I. Violeta Branca para crianças de 5 anos de idade, procuro sempre pedir para que uma criança distribua os gizes de cera para seus colegas, pois quando ela executa esta atividade, está quantificando e dividindo de forma natural e significativa. Como afirma a Organização Mundial para a Educação Pré- Escola (UNESCO, 2005):

“Essas tarefas do cotidiano escolar propõem uma infinidade de possibilidades para que a criança pense e realize operações mentais. É a partir de uma necessidade concreta e do universo do todo, e não da unidade, que ela construirá o conceito de número”. (2005, p. 106)

Muitas vezes as atividades mais despretensiosas são as que possuem um impacto mais perene na construção cultural do indivíduo. O professor não pode negligenciar ou desvalorizar os momentos do cotidiano em que o aluno interage e exercita suas habilidades. Uma escola mais moderna e eficaz não é necessariamente aquela que possui a maior quantidade de recursos tecnológicos, mas aquela que faz com que os alunos aprendam a ser autossuficientes, criativos e confiantes.

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

A Criança Descobrindo, Interpretando e Agindo sobre o Mundo.- Brasília: UNESCO, Banco Mundial, Fundação Maurício Sirotsky Sobrinho, 2005. 136 p.- ( Série Fundo do Milênio para Primeira Infância Cadernos Pedagógicos; 2).

BRASIL. Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil/Ministério da Educação e Desporto. Secretária da Educação Fundamental. Brasília: MEC/ SEF, 1998.

Fundamentos teóricos e metodológicos de ciências humanas e sociais na educação infantil/ Faculdade Educacional da Lapa- Curitiba: Editora Fael, 2010. 106 p.: il.

SANTOS, Santa Marli Pires dos (1997). O lúdico na formação do educador. Petrópolis: Vozes.