Qual a realidade da Escola de Educação Infantil em face ao desenvolvimento da criança?

A Educação Infantil tomou o lugar de destaque que merecia, através dos anos de transformações pelos quais passou, ela vem sendo responsável pela fase mais importante da formação do cidadão, pois atua no início da vida o que é feito a partir das relações sócio-histórico-cultural. Isto sendo de um jeito consciente e contextualizado, dando condições de aprendizagem, para que as crianças conheçam e descubram seus novos sentimentos, valores, ideias, costumes e papéis sociais.

Aliado a isso, a educação deve levar o sujeito a uma construção ativa do seu conhecimento, através do meio social onde acontecem as influências que são fundamentais ao processo de ensino. Estes conhecimentos devem ser mediados de forma eficiente por parte do educador. O Processo educacional tem que levar em consideração os aspectos sociais, culturais e emocionais do sujeito, provendo assim a facilitação da aquisição do conhecimento.

Por fim, com a utilização do lúdico as crianças adquirem conhecimento, desenvolvem atenção, com brincadeiras de imitação, os mesmos ampliam a capacidade de memorização e com o uso da imaginação, os aspectos sociais de interação com as outras crianças.

Referencial curricular educação infantil

“Educar significa, portanto, propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens, orientadas de forma integrada que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal, de ser e estar com os outros” […] ( Referencial Curricular Nacional, 1998, p.23).

A educação infantil deve desenvolver na criança os aspectos físicos, emocionais, cognitivos, afetivos e sociais, de forma que os mesmo trabalhados de forma sincronizada tornarão os pequenos mais socializados.

Ao ingressar na escola, podemos fazer a seguinte analogia: para a criança é como se ela estivesse em contato com um novo mundo desconhecido pronto para ser desvendado, porém ela traz consigo, um outro universo próprio com histórias de sua família, experiências e socializações anteriores. Essa momento deve ser mediada pelo educador, fazendo com que ele seja prazeroso e cheio de novidades.

O ambiente é muito importante no desenvolvimento da criança, porém para Piaget o conhecimento é construído durante as interações da criança com o mundo. O primeiro fator são os biológicos, pois é a partir deles que acontece a transmissão social, ao que refere-se aos objetos físicos e sociais.

As atividades pedagógicas necessitam estar em conjunto com o desenvolvimento natural das crianças Devem ser lúdicas, pois a própria criança é lúdica, vive profundamente suas brincadeiras. O educador por sua vez deve propiciar um ambiente onde estas crianças consigam elaborar bem o que veem, ouvem ou sentem dos objetos e das pessoas.

A educação infantil, durante todos esses anos, vem incorporando várias mudanças, o reconhecimento das creches, a formação dos professores, a responsabilidade do setor público para garantir vagas na educação infantil, respeitando a opção da família sem obrigatoriedade.  Hoje sabe-se o quanto as crianças até 5 anos necessitam de atenção, afetividade e segurança para viver.

Mediante a isso, não é só na escola que a necessidade das crianças precisa ser suprida, esse cuidado deve-se estender também no convívio familiar, por isso, já é possível ver a sociedade exigindo maiores cuidados da família com um ambiente acolhedor, seguro, alegre, afetivo, amoroso e principalmente preparado para oferecer ajuda para aprendizagem dessas crianças. Essa cobrança é feita pelas figuras do conselho tutelar, organizações não governamentais e outros movimentos sociais. Para Oliveira(2002). As creches e pré-escolas não devem nem substituir a família e nem antecipar práticas tradicionais de escolarização. Segundo ela, é possível criar alternativas de programas de educação infantil que obedeçam critérios mínimos de qualidade, levando em conta as diferentes culturas de vivência e desenvolvimento.

É importante que a educação infantil busque cultura, linguagem, cognição e afetividade como fatores primordiais para o desenvolvimento da criança. Aliado a isto, é dever da escola garantir o encontro das crianças não só para habilidades cognitivas e motoras, mas também para trabalhar as relações de incentivo a interação, que por sua vez será um caminho para a descoberta da solidariedade, deixando de lado o egocentrismo compartilhando ideias, espaço e brinquedos.

Sabe-se que caso, na mais tenra infância, a criança entender o sentido real de viver em grupo, ela conseguirá entender a si e aos outros, com isso terá feito alicerces para um saudável convívio social. Assim sendo, a parceria entre a escola e família é extremamente importante para que juntas construam a educação com bases mais sólidas e duradouras.

É em família que a criança constrói seus primeiros vínculos com a aprendizagem e forma seu estilo de aprender. Nenhuma criança nasce sabendo o que é bom ou ruim e muito menos sabendo do que gosta e do que não gosta. A tarefa de pais, professores e familiares é de favorecer uma consciência moral, pautada em uma logica totalmente aceita, para que quando a criança tiver que decidir, ela saiba como e por que está tomando determinados caminhos e decisões. ( PAROLIN, 2007, p. 56).

Mesmo com todos os avanços e com a massificação do acesso à educação que o Brasil já alcançou a realidade das escolas desta nação ainda está bastante aquém do que é realmente necessário para formar profissionais e cidadãos mais preparados para vencer os desafios que a era do conhecimento, da globalização e da informação trazem consigo. Ainda é possível deparar-se com falta de materiais didáticos, falta de capacitação profissional dos educadores e com infraestrutura precária das creches e pré-escolas.

Por outro lado, 30 anos atrás o cenário já foi muito pior e possivelmente nos próximos 30 anos os avanços serão muito mais significativos. Por exemplo, na década de 80 professores da pré-escola com nível superior eram extremamente raros, hoje sabe-se que as políticas públicas estão fazendo com que os professores desta faixa etária alcancem níveis acadêmicos cada vez mais elevados.

Por tudo o que foi dito, percebe-se o quanto é importante a presença da família na educação infantil. Faz-se necessário trabalhar continuamente essa relação para melhor formação das crianças. Desde o nascimento é explícito o desenvolvimento físico e mental do ser humano, porém os aspectos afetivos e sociais, que não são explícitos, não devem ser negligenciados. Neste contexto, é papel da escola prover um ambiente estimulante e ativo para a aprendizagem, a partir disto será possível que o Brasil tenha uma educação muito mais transformadora.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 PIAGET. Jean. A formação do símbolo da criança: Imitação, jogo e sonho, imagem e representação. 2º ed. Rio de Janeiro: Zahan 1975.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretária de Educação Fundamental. Referência Curricular Nacional para Educação Infantil. Ministério da Educação e Desporto, Secretária de Educação – Brasília MEC. 1998. Volume 1 e 2.

OLIVEIRA, Zilma Ramos. Educação: Fundamentos e Métodos. São Paulo: cortez, 2002.

PAROLIN, Isabel. Relação Família e Escola: Revista atividades e experiências. Positivo 2008.

UNIVESP TV. Introdução à Psicologia do Desenvolvimento. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=5WA1pmu-pQ8&feature=list_other&playnext=1&list=SP6DF97EE1ED9A5225. Acesso em: 28 de mar. 2013.

DRAGO, Rogério; RODRIGUES, Paulo da Silva. Contribuições para o desenvolvimento da criança no processo educativo. Disponível em: http://cefort.ufam.edu.br/posinfantil/pluginfile.php/1763/mod_resource/content/1/Contribui%C3%A7%C3%A3o%20de%20Vygotsky%20para%20o%20desenvolvimento%20da%20crian%C3%A7a.pdf. Acesso em: 28 de mar. 2013.

DLACEI: Biblioteca. O desenvolvimento infantil na perspectiva sociointeracionista: Piaget, Vygotsky, Wallon. Disponível em: http://cefort.ufam.edu.br/posinfantil/mod/folder/view.php?id=255. Acesso em: 28 de mar. 2013.